Sabe aquele dia em que você se sente flagelado por algo inexplicável? Então, foi meu dia ontem. Bem, não vou dizer que nada deu certo porque eu consegui fazer tudo que eu tinha que fazer, mas de uma forma nada tranqüila. Logo de manhã recebo uma ligação da tradutora dizendo que as traduções que haviam sido acordadas para estarem prontas até as 15h não ficariam prontas, e ela não queria me liberar a papelada para levar ao MEC e fazer o requerimento do reconhecimento do curso para que aceitem a minha transferência para a UBA. Enfim, depois de muita dor de cabeça com ela no telefone apenas para explicar a ela que eu pegaria a documentação original, levaria ao MEC e depois levaria de volta à casa dela para que ela terminasse o serviço, e que ela podia me entregar no dia seguinte, no caso hoje, quarta-feira eu consegui resolver essa parte (ela é uma senhora muito boazinha, mas eu estava quase estrangulando-a pelo telefone, não sei porque é tão difícil ela entender alguma coisa). Enfim, peguei meu carro e segui viagem para o bairro de Pinheiros, para retirar as benditas traduções. No caminho, na Avenida Pacaembu, um sujeito daqueles que gostam de empacar o trânsito (nem anda, nem pára) me tirou do sério, quando cortei ele e fui tomar à frente, outro delinqüente (pouco mais que eu) me toma a frente também. O primeiro me enche a traseira do carro, enfim… O carro está vendido e vai me dar mais uma dor de cabeça, pelo menos não destruiu muito, apenas o parachoque amassou um pouco, e eu estava errado, vou ter que pagar o conserto da lanterna do rapaz. Pelo menos não bati no cara que me fechou, era um Civic novo, sairia os olhos da cara se eu tivesse que pagar.
Depois desse episódio deixei o carro num estacionamento e fui de metrô para o MEC levar a papelada, saltei na Sta. Cecília e me dirigi até lá. No telefone me disseram que eu teria que levar toda a papelada que a minha faculdade me soltou além de um certificado de que a minha matrícula está trancada. Pois bem, o senhor que me atendeu lá nem olhou a minha papelada, apenas anexou ao documento o certificado de trancamento e disse que sairia na sexta-feira o meu documento do reconhecimento de curso, outra pisada de bola, estou com o prazo meio curto pra resolver tudo e tentar ingressar já em agosto e me disseram que isso seria feito de um dia para outro… Enfim, é o serviço público brasileiro. Aliás, o nosso Ministério da Educação merecia uma estrutura um pouquinho melhor na sua unidade na maior cidade do país, ridículo não funcionar o único computador que eles têm no local e o senhor que me atendeu me entregar um papelzinho com seu telefone direto pedindo para que eu ligasse pra ele para verificar se está pronto.
De lá tomei um táxi com destino à rua dos Pinheiros, para levar de volta os documentos para a tradutora. Não queria subir no apartamento dela porque ela fala demais, e não se articula muito bem em português (tentei em espanhol, mas não mudou muito), o que faz com que ela repita a mesma coisa por umas cinco vezes. Pois ela me pede para subir para entregar os papéis, e aí quer me mostrar o que fez até agora, super atenciosa, mas eu não tinha tempo, era meu dia de rodízio e eu tinha que ir embora logo. Enrolação vai e vem, quando estava pronto para sair do apartamento dela, cai um temporal na capital e acaba a luz, e ela querendo que eu levasse um guarda-chuvas, quando eu tinha idéia de apenas pedir um táxi ali e ir embora para o metrô Trianon, onde estava meu carro. Esperei um pouco, a chuva amenizou, tomei um táxi e lá me fui. Chegando perto do meu carro, por volta de 17h, lembrei que era meu dia de rodízio, então parei para um chopp gelado, um cigarro e o segundo tempo do jogo do Chelsea (que estava perdendo, para meu desprazer). Pedi um caldinho de feijão e fiquei acompanhando o jogo, que estava horrível, mas só dava Chelsea com algumas chegadas perigosas do Liverpool e o nosso goleirão salvando a pátria. Não era possível que mais uma vez seria eliminado para esses crápulas. Mas quando me vem alguma alegria no dia, faltando 5 segundos para o fim, já nos acréscimos, o lateral-esquerdo Riise marcou um golaço contra e garantiu o empate fora de casa, bom resultado para a volta.
Não quis nem saber, Chelsea jogou bem, tomei um chopp gelado, consegui levar a papelada onde deveria, agora vou pegar meu carro e vou voltar pra casa (esqueci novamente que era rodízio). Ah, esqueci, quando fui entrar no carro, deixei meu óculos cair e o amassei, típica coisa pra te deixar puto num dia em que parece que está tudo querendo te impedir a tranqüilidade. Pois bem, pelo menos não peguei a Paulista. Fui apagado até a Vergueiro (e já estava escuro), e vi apenas um marrozinho no caminho. Depois de 1h30, chego em casa, tomo um banho, não como nada e deito para dormir, podre.
Por volta de 21h sinto minha cama balançar um pouco por alguns segundos. Apenas achei que estava um pouco tonto, levantei, tomei um Rivotril, comi um pedaço de chocolate, tomei uma água e voltei a deitar. Hoje, levanto pela manhã e leio no Terra que foi registrado um tremor de terra de 5,2 graus na escala Richter, o que foi classificado como moderado pelos caras que manjam disso aí. Enfim, nada melhor para terminar um dia desses que com um terremoto…